quarta-feira, 25 de julho de 2007

O Verdadeiro Poder

O Verdadeiro Poder


Era uma vez um guerreiro, famoso por sua invencibilidade na guerra. Por ser um homem extremamente cruel, era temido por todos. Quando se aproximava de uma aldeia, os moradores corriam para as montanhas, onde se escondiam do malvado guerreiro. Subjugou muitas aldeias.

Certo dia, alguém viu quando ele se aproximava com seu exército de uma pequena aldeia, onde viviam alguns agricultores e, entre eles, um velhinho, muito sábio.

Quando o pessoal escutou a terrível notícia da aproximação do guerreiro, tratou de juntar o que podia e fugir rapidamente para as montanhas. Só o velhinho ficou para trás, porque não podia fugir. O guerreiro entrou na aldeia e foi cruel, incendiando as casas e matando alguns animais soltos pelas ruas. Até que chegou na casa do velhinho que, ao vê-lo, assustou-se. E, sem piedade, disse ao ancião que os seus dias haviam chegado ao fim, mas que, antes de passá-lo pelo fio de sua espada, lhe concederia um último desejo.

O velhinho pensou um pouco e pediu que o guerreiro fosse com ele até o bosque e ali cortasse o galho de uma árvore. O guerreiro achou aquilo uma besteira. “Esse velho deve estar gagá. Que último desejo mais besta”, pensou o cruel homem. Mas se esse era o último desejo do velhinho, deveria atendê-lo.

E lá foi o guerreiro até o bosque e, com um só golpe de sua espada, cortou o galho de uma árvore. “Muito bem”, disse o velhinho. E prosseguiu: “O senhor cortou o galho da árvore. Agora, por favor, coloque esse galho na árvore outra vez”. O guerreiro deu uma grande gargalhada, chamando o velho de louco, pois todo mundo sabe que isso não é possível: colocar o galho cortado na árvore outra vez. O velhinho então lhe respondeu: “Louco é você que pensa que é poderoso só porque destrói as coisas e mata as pessoas que encontra pela frente. Quem só sabe destruir e matar, esse não tem poder. Poder tem aquela pessoa que sabe juntar, que sabe unir o que foi separado, que faz reviver o que parece morto. Essa pessoa tem o verdadeiro poder”.

Com razão disse esse velho sábio, pois quando nos lembramos do nosso Mestre, vemos que Ele era poderoso por trazer vida onde havia morte e destruição: “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mt 9.35).

Quanto Vale a Reputação?

Quanto Vale a Reputação?

Você preferiria fazer negócios com uma pessoa de reputação sólida e merecida, ou com alguém de caráter questionável e dúbio? Pode estar pensando: "Esta é uma pergunta boba. É claro que gostaria de fazer negócio com alguém de boa reputação!"

Bem, deixe-me fazer-lhe uma pergunta similar, talvez mais difícil de responder: Você preferiria ter boa reputação e enfrentar dificuldades financeiras todos os meses, ou ser rico e ter péssima reputação?

Boa reputação não garante sucesso financeiro e profissional e muitos prosperam apesar de ter reputação questionável no mundo dos negócios. Entretanto, uma pessoa com boa reputação, conhecida por qualidades como integridade, imparcialidade e excelência, vai dormir mais fácil à noite, sem ser perturbada por uma consciência culpada.

Boa reputação se constrói ao longo de uma vida e pode ser destruída, sem chance de reparação, em um só momento. Pode parecer injusto que uma simples indiscrição ou transação questionável possa arruinar uma ficha imaculada, mas esta é a verdade. Crédito e confiança são conquistados - e sustentados - um dia de cada vez. Cada dia apresenta nova oportunidade para provar que somos quem reivindicamos ser. Mas uma vez quebrada a confiança, seja nos negócios ou nos relacionamentos, a restauração, quando possível, ocorre com muita dificuldade.

Já aconteceu de alguém lhe fazer uma promessa, assumir um firme compromisso com você e falhar em mantê-lo? Como se sentiu na ocasião? Qual o grau de dificuldade que encontrou para confiar naquela pessoa, na próxima vez que ela "prometeu" ou jurou fazer algo que era importante para você?

Eu não sei com relação a você, mas posso pensar em várias ocasiões em que eu falhei em manter compromissos pessoais. Até hoje lamento esses fracassos. À medida que amadureci, tomei consciência da importância e do valor de uma boa reputação, de ser uma pessoa que faz o que afirma que vai fazer. Esta é uma das razões por que a Bíblia nos instiga a: "...Seja o sim de vocês, sim, e o não, não..." (Tiago 5.12). E o antigo livro de Provérbios atribui alto valor a boa reputação. Vejamos algumas observações sobre o tema:

Reputação genuína. Riqueza pode ser adquirida de muitas maneiras. Pedras e metais preciosos podem ser comprados. Mas nem a loja mais exclusiva pode lhe vender boa reputação. Ela não é uma mercadoria passível de ser comprada ou permutada. Somente pode ser obtida por meio de uma vida que defenda ideais e valores pessoais elevados - mesmo quando isto não seja conveniente ou oportuno. "A boa reputação vale mais que grandes riquezas; desfrutar de boa estima vale mais do que prata e ouro" (Provérbios 22.1).

Reputação desperdiçada. Ser digno de confiança literalmente significa ser digno da confiança de alguém sempre, não apenas às vezes. Goste ou não, o momento em que você trai a confiança é o momento em que, de repente, se torna indigno de crédito no futuro. "Procure resolver a sua causa diretamente com o seu próximo, e não revele o segredo de outra pessoa, caso contrário, quem o ouvir poderá recriminá-lo, e você jamais perderá sua má reputação" (Provérbios 25.9-10).

Reputação brilhante. Em um mundo cheio de promessas quebradas, onde tantas pessoas parecem dedicadas tão-somente a interesses egoístas, alguém com boa reputação é uma raridade, procurado como uma pequena luz num aposento escuro. "A vereda do justo é como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até a plena claridade do dia. Mas o caminho dos ímpios é como densas trevas; nem sequer sabem em que tropeçam" (Provérbios 4.18-19).

terça-feira, 24 de julho de 2007

Em Verdade...

Em Verdade...

O santo não condena o pecador. Ampara-o sem presunção...
O sábio não satiriza o ignorante. Esclarece-o fraternalmente...
O iluminado não insulta o que anda em trevas. Aclara-lhe o caminho...
O orientador não acusa o aprendiz tateante (a ovelha insegura é a que mais
reclama o pastor)...

O bom não persegue o mau. Ajuda-o a melhorar-se...

O forte não condena o fraco. Auxilia-o a erguer-se...

O humilde não foge ao orgulhoso. Coopera silenciosamente em favor dele...
O sincero a ninguém perturba. Harmoniza a todos...

O simples não critica o vaidoso. Socorre-o, sem alarde, sempre que necessário...

O cristão não odeia, nem fere.
Segue ao Cristo, servindo ao mundo...
De outro modo, os títulos de virtude são meras capas exteriores que o tempo desfaz...

Confiar um no outro, essencial para um amor maduro

Confiar um no outro, essencial para um amor maduro



Amor implica depender, estar na mão da outra pessoa. Por isso, amar alguém que não transmite confiança é ser irresponsável para consigo mesmo



* Por Flávio Gikovate



Poucos são os casais que vivem em concórdia, num relacionamento que crie condições para que ambos cresçam emocional e intelectualmente. Mas, porque existem alguns casais que vivem em harmonia, devemos nos empenhar para também fazermos parte dessa minoria privilegiada. Hoje quero me dedicar a um aspecto essencial das boas relações amorosas que é o desenvolvimento da confiança recíproca. Amar implica depender, estar na mão de outra pessoa. Ela tem, mais do que ninguém, o poder de nos fazer sofrer. Basta querer nos magoar que conseguirá isso, com uma simples palavra ou gesto. Se quiser nos fazer sentir insegurança, não terá problema algum.

Fica mais do que evidente que, quando uma pessoa ama alguém que não se empenha em despertar a sensação de confiança e de lealdade, ela irá padecer muito. Irá se sentir permanentemente ameaçada, terá ciúme de tudo e de todos. Amar alguém que não nos passa confiança é, pois, uma irresponsabilidade para consigo mesmo. É uma ousadia, uma ingenuidade e uma grande demonstração de imaturidade emocional ou sinal de que se tem satisfação com o sofrimento.

Em geral as pessoas se colocam nessa condição em virtude de terem se encantado com alguém que, de fato, não dá sinais de confiabilidade. Aceitam essa atitude egoísta do amado imaginando que seja uma fase, um período doloroso que irá passar com o tempo. Fazem tudo para demonstrar o seu amor, para cativar o outro e esperam que isso faça com que, finalmente, ele se renda, e também se entregue de corpo e alma à relação afetiva. Acaba se compondo uma espécie de desafio, em que aquele que não é confiável percebe que recebe mais atenções e carinho exatamente por agir dessa forma. Com isso se perpetua a situação e me parece bobagem achar que o futuro será diferente do presente. Afinal de contas, aquele que não se entrega ao amor, acaba sendo altamente recompensado por isso e não terá nenhuma tendência para alterar sua atitude.

Quando a "mágica" do encantamento amoroso não vem acompanhada da "mágica" da confiança a pessoa está posta numa situação muito difícil, na qual o sofrimento e insegurança serão as emoções mais constantes. E essa "mágica" da confiança de onde ela vem? De vários fatores, sendo que o primeiro deles depende do comportamento da pessoa amada. Não é possível confiarmos numa pessoa que mente, a não ser que queiramos nos iludir e tentemos achar desculpas para não perder o encantamento por ela. Não é possível confiarmos em pessoas cujo comportamento não está de acordo com suas palavras e suas afirmações. Aliás, quando o discurso não combina com as atitudes, penso que devemos tomar essas últimas como expressão da verdadeira natureza da pessoa. Não é possível confiarmos em pessoas que mudam de opinião com a mesma velocidade com que mudamos de roupa. É evidente que todos nós, ao longo dos anos, atualizamos nossos pontos de vista. Porém, acreditar em certos conceitos num dia na frente de certas pessoas e defender conceitos opostos no outro diante de outras pessoas significa que não se tem opinião firme sobre nada e que se quer apenas estar de bem com todo mundo. Amar uma pessoa assim é, do ponto de vista da autopreservação, uma temeridade.

A capacidade de confiar depende também de como funciona o mundo interior daquele que ama e não apenas da forma de ser e de agir do amado. Não são raras as pessoas que não conseguem desenvolver a sensação de confiança em virtude de uma auto-estima muito baixa. Desconfiam da capacidade que têm de despertar e conservar o amor da outra pessoa; se sentem inseguras, acham que a qualquer momento podem ser trocadas por criaturas mais atraentes e ricas de encantos. E, o que é mais grave, se sentem assim mesmo quando recebe sinais constantes, coerentes e persistentes de lealdade por parte da pessoa amada. Nesses casos, não há o que essa criatura possa fazer para atenuar o desconforto daquelas, cuja única saída é um sério mergulho interior em busca de resgatar a auto-estima e a autoconfiança perdidas em algum lugar do passado.

Finalmente, para uma pessoa desenvolver a capacidade de confiar é necessário que ela seja uma criatura confiável. Costumamos avaliar as outras pessoas tomando por base nossa própria maneira de ser. Se nos sabemos mentirosos, capazes de deslealdade e de desrespeito aos outros, como ter certeza de que as outras pessoas não farão o mesmo conosco? Só aquele que tem firmeza interior, que tem confiança em si mesmo no sentido de respeitar as regras de conduta nas quais acredita, pode imaginar que existam pessoa em condições de agir da mesma forma. Se a felicidade sentimental depende do estabelecimento da confiança recíproca, ela será, pois, um privilégio das pessoas íntegras e de caráter.
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Flávio Gikovate é médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor. Autor, entre outros livros, de "Ensaios sobre o Amor e a Solidão", "A Liberdade Possível" e "A Arte de Educar".

Tudo o que nós fazemos pode ser melhorado. Sempre.

Tudo o que nós fazemos pode ser melhorado. Sempre.

Se os únicos aviões que pudessem voar fossem aqueles capazes de fazer um vôo perfeito, nenhum veículo aéreo jamais sairia do solo. Todo avião sai da rota e tem que ser corrigido, o tempo todo. O vôo perfeito não existe nem nos melhores simuladores.

Se os únicos bebês que pudessem nascer fossem aqueles geneticamente perfeitos, morreríamos todos em poucos segundos. A civilização humana seria varrida da Terra; somos altamente adaptáveis, mas não perfeitos.

Se apenas os computadores perfeitos pudessem ser vendidos, ainda estaríamos usando ábacos ou pedrinhas na areia, para fazer contas. E você não estaria lendo esse meu texto, em seu computador imperfeito.

A perfeição, portanto, é um conceito abstrato totalmente inatingível por qualquer criatura viva. Qualquer pessoa que tenha absoluta certeza de ter feito algo perfeito, provavelmente tem uma capacidade de avaliação crítica muito imperfeita, pois acredita que o que realizou não pode ser melhorado por outros. Tudo o que nós fazemos pode ser melhorado. Sempre.

Pessoas que querem fazer só aquilo que for perfeito, não fazem coisa alguma.

Claro que devemos tentar atingir a perfeição, desde que tenhamos na mente que ela é inatingível. É como a frase que diz: “aponte para as estrelas... e você poderá atingir a lua”.

Temos que mirar alto, mas aceitar que a mira é menos importante do que o alvo real.

E o alvo real tem que ser terminar o que você começou. O alvo real é produzir o que você se propôs a produzir. O alvo real é realizar a idéia, o conceito, o projeto.

Milhões de pessoas perdem tempo inestimável de vida, “dourando o ouro e polindo a prata”, isto é, pensando tanto em como seu projeto, proposta, idéia, invenção, casamento, filhos, pais, países, escolas, amigos, livros, casas... tem que ser perfeitos que, no final, o projeto não sai perfeito, nem imperfeito. Simplesmente, não sai.

É melhor o imperfeito feito que o perfeito não feito. Sempre. Porque quando você faz algo imperfeito, você já sabe qual ponto deve ser corrigido e melhorado, da próxima vez. Assim, você vai indo em direção à perfeição usando a técnica das aproximações sucessivas. O velho sistema de erro-e-acerto.

Mas, você só pode melhorar aquilo que já existe! Por isso, primeiro faça a coisa existir, depois você fica livre para pegar aquilo que já existe, e melhorar.

Não caia no conto da perfeição. Apenas faça agora aquilo que tem que ser feito. Mesmo que o resultado seja imperfeito. Porque, como eu sempre digo, é melhor o imperfeito feito que o perfeito não feito.




© Aldo Novak

Faça o que você pode, com o que você tem, no lugar onde você está"

Faça o que você pode, com o que você tem, no lugar onde você está"



Todos nós temos uma tendência a esperar. Esperar para fazer o que deve ser feito quando alguma condição qualquer tenha sido satisfeita, ou quando tivermos os recursos necessários, ou estivermos no lugar certo. Naturalmente, quando surge uma crise, parece que tudo isso aparece como mágica.

Já ouviu pessoas dizendo: "quando eu tiver dinheiro, serei feliz"... "quando eu sair de casa, tudo se resolverá"... ou "quando eu estiver na faculdade, tudo vai funcionar"... ou "quando eu começar a trabalhar, então tudo vai ser como eu quero"... ou "quando eu casar"... "quando eu tirar férias"... "quando eu me aposentar"...

Tem gente que diz até "quando eu morrer"...

Chegou a hora de parar com isso. Chegou a hora de entender que o momento é este. O momento é agora. Ou você começa agora, ou continuará adiando para um futuro que pode, ou não, acontecer.

Não estou dizendo que você deva terminar alguma coisa agora, mas sim começa-la. Sem ansiedade, mas com determinação.

Pegue seu sonho, por mais complexo que seja, e faça alguma coisa hoje, sobre ele. Pode ser algo muito pequeno, quase invisível. Mas tem que ser alguma coisa. Qualquer coisa é melhor que nada.

Muitas são as pessoas que acham que só poderão fazer algo, se for alguma coisa "grande". Bobagem. Nada começa grande. Até a maior baleia do planeta começou do tamanho de uma semente.

Se tudo o que você pode fazer, hoje, para se aproximar de seu sonho, é recortar uma figura e colar na parede, faça isso. Pelo menos você terá feito algo. Mas faça hoje. E use o que você tem agora. Se não tem cola, ou fita adesiva, para colar, prenda com um clipes. Se você não tem clipes, prenda com grampeador. Se não tem grampeador, dobre para colocar em um livro, diário, agenda ou caderno. Em outras palavras, use o que você tem, seja lá o que for.

E não espere estar em outro lugar para começar. Comece exatamente no lugar em que você está agora. Isso mesmo, não importa onde. Quantas pessoas deixam para começar algo quando estiverem no "lugar certo"! Mas o lugar certo é o lugar no qual você está agora. Não existe outro lugar certo. Todos os outros lugares são errados.



Fazer o que você pode, usar o que você tem e começar onde você está, é um modo de dizer: viva na realidade. Não viva no ontem ou no amanhã. Não existe nenhum outro modo de começar. Você sempre tem que usar o que você tem, sempre tem que começar onde você está e sempre fará apenas o que você pode fazer.

Se você tem apenas barro fofo e pedra lascada, use para construir o primeiro tijolo do seu castelo.

Mas faça algo hoje.

Como disse Theodore Roosevelt , "faça o que você pode, com o que você tem, no lugar onde você está".

E, se você fizer isso, e só isso, já estará na frente de 90% do planeta. Simplesmente agindo no único lugar do universo que você tem poderes de ação. Aqui. Apenas usando os recursos disponíveis para serem usados, que é aquilo que você tem. Apenas agindo no único tempo em que você existe. Agora.

Assim, você viverá na realidade. Realidade que, para muitos, é uma realidade alternativa - ironicamente, já que a maioria das pessoas vive no passado ou no futuro. Raras vivem no presente.

Bem vindo ao único ponto do universo no qual todos os seus poderes podem ser usados sem pestanejar.

Bem vindo ao agora.
Ou tudo ou nada



A capacidade de adaptação pode levar a pessoa a se conformar com a vida insatisfatória que tem e desistir de mudar assim que os primeiros obstáculos surgirem



Roberto Shinyashiki*

As situações da vida que exigem soluções radicais precisam receber atenção total, pois desistir de mudar é mais fácil do que decidir mudar.

Temos uma capacidade infinita de adaptação e, por isso, podemos nos conformar facilmente com situações muito desagradáveis. É bastante comum, depois de trocarmos de emprego, de encerrarmos um relacionamento, enfim, de alterarmos alguma situação de sofrimento do passado, olharmos para trás e nos surpreendermos com a intensidade com que nos sujeitamos a certas circunstâncias insatisfatórias.

Claro que essa capacidade de adaptação nos ajuda muito quando precisamos superar uma situação especial da vida. Eis alguns exemplos:

- Ficar sem dormir para terminar um mestrado.
- Trabalhar meses sem nenhum dia de descanso para iniciar bem um negócio.
- Treinar 8 horas por dia para obter a melhor preparação possível para um campeonato mundial.
- Morar em outro país, longe da família, para fazer um curso de especialização.
- Viver meses em uma estação sideral porque a condição de astronauta assim exige.

Essas são todas situações difíceis que as pessoas enfrentam quando estão realizando seus sonhos.

Mas essa capacidade de adaptação, que tem a função fundamental de garantir a sobrevivência, pode nos atrapalhar bastante na hora de fazer uma mudança radical.

Muitas pessoas acabam se adaptando à escassez de amor, de reconhecimento, de oportunidade e de crescimento profissional. Assim, elas se enganam durante muito tempo, como se a pouca felicidade que alcançaram já fosse o máximo possível.

A capacidade de adaptação pode levar a pessoa a se conformar com a vida insatisfatória que tem e desistir de mudar assim que os primeiros obstáculos surgirem. Para que isso não aconteça, você precisa estar consciente de que toda transformação exige grande desprendimento além de muita disposição para pagar o preço dessa mudança.
Por Roberto Shinyashiki*

Precisamos nos adaptar à ruptura da situação anterior e estar preparados para encarar os novos desafios.

A tentação de desistir pode aparecer, mas seu comprometimento precisa ser mais forte que os convites dos falsos amigos para que você desista. Você tem de ser capaz, principalmente, de enfrentar aquela voz interior crítica que diz: "Não vai dar certo!"

Quando uma pessoa decide mudar e depois desiste, uma série de problemas pode surgir. Os outros, provavelmente, vão parar de levar suas promessas a sério. O pior, porém, acontece quando a própria pessoa pára de acreditar nos próprios compromissos.

Por isso, antes de começar essa jornada de transformação de sua vida, prepare uma estratégia de caminhada.

Roberto Shinyashiki é psiquiatra